quinta-feira, 22 de abril de 2010

Monólogo de um cachorro de rua

A Lara foi adotada por nós há 6 anos e meio, não sabemos a sua idade, pois a encontramos abandonada na Av. João Pinheiro já adulta, estava diante de uma loja há 3 dias. Havíamos perdido a Xuxa, uma vira-latinha que também pegamos na rua, ainda bebê e que viveu conosco por 11 anos, até que seu coração já com problemas graves deixou de bater, então 5 meses após sua partida, encontramos este "escovão" pedindo um lar, e está aí, toda serelepe fazendo arte pelo quintal.
Esta é mais uma história de vida da Toca dos Gatos, obrigada por ler ^.^



Ei, você, olha pra mim!!

Eu sou apenas um cachorrinho de rua.

Esta é a minha nova moradia. Eu fui deixado aqui pelos meus donos que disseram que viriam me pegar e estou sempre esperando, esperando, mas eles não vêm.

Será que você não pode me dar um pouquinho de atenção!!

A minha vida ficou difícil. Eu saí de perto dos meus pais, pois me disseram que eu ia conhecer um lugar bonito. Fiquei feliz e acreditei.

Meus pais não queriam que eu fosse mas eu com os olhos ainda começando a ver o mundo, implorei para ir com umas pessoas. Eu até hoje também não vi meus pais. Ah, eu tenho uns irmãozinhos também. Só que não os vejo mais. Acho que não estão mais com meus pais. Pôxa, eu tô com saudade da minha família... mas, o que fazer...!!!

As pessoas que me levaram para suas casas parece que saíram de férias, não sei dizer. Esqueceram de mim, aqui, na rua. Eles abriram a porta do carro e me disseram para esperar que iam na outra rua fazer compras. Mas já se passaram vários dias e ninguém voltou.

Sabe, toda vez que passa um carro parecido com o deles eu encho os olhos de alegria, pensando em voltar. Mas... eles não aparecem mais. Acho que esqueceram de mim.

A minha vida está meio "braba". Quando eu sinto fome eu tenho que comer qualquer coisa que jogam na rua, no lixo. Quando estou com sede espero a chuva chegar.

Moço, eu sou pequenino. Será que quando eu crescer a minha vida vai melhorar!!!

Eu queria tanto ser feliz, ter a minha casinha, crianças para eu brincar, correr de um lado para o outro, latir como se tivesse rindo para elas.

Mas, ... estou sempre sozinho!As vezes me jogam um osso. Mas, meus dentes pequenos não conseguem mastigar este pedaço.

O que mais sinto falta é dos meus donos, que diziam que eu era bonito. Acho que estou feio, porque me largaram aqui na rua. À noite eu tenho medo. Fico sozinho vendo umas pessoas passarem apressadamente e ninguém me olha. Por que as pessoas são tão apressadas!!

Se você conhecer alguém que saiba ouvir e possa conversar um pouquinho comigo, como você me dá atenção, peça para vir me ver. Eu quero olhar a vida com amor no coração, mas preciso deste amor das pessoas par não sentir solidão. Olha, eu sei que estou tomando seu tempo, mas eu sou sozinho neste canto. Eu sei que você vai embora. Mas, se puder, volte amanhã, pois estarei esperando você para me ver. Eu quero ser seu amigo e preciso de sua amizade. Eu quero chamar você de meu... IRMÃO!!

Gilberto Pinheiro

4 comentários:

Carol Liôa disse...

linda história!
tem selinho p vc! bjs

Veronica Gregório disse...

Ai Ana! Estou chorando muito por conta do texto:( Me dá um aperto ouvir isso. Um dia sei que vou conseguir ajudar muitos animais, mas por enquanto me doi poder ajudar tão pouco. Beijos

^.^ Ana Clara ^.^ disse...

Verônica, minha linda, não chore não, já estou indoao seu blog levar uma palavra de consolo para ti, não era minha intenção deixar vocês tristes.

Lizandra disse...

Sempre que vejo uma história assim fico triste porque sei que é real, gostaria de poder ajudar todos os animais, mas sei que um dia vou poder ajudar muitos deles.