E porque a Toca dos Gatos não cuida só de gatos, também temos nossos amores caninos, vou deixar um texto do Gilberto Pinheiro em homenagem ao seu cão, mas que serve para todos o nossos queridos auaumiguinhos da blogosfera querida.Esta abaixo era a Xuxa, uma cadelinha SRD que pegamos ainda bebê abandonada nas ruas em um 7 de Setembro. Viveu conosco por 11 anos, lutou bravamente por 1 ano e meio contra os tumores, passou por 4 cirurgias, 3 meses de quimioterapia, mas seu coração nos pregou uma peça e a levou vitimada de enfartes múltiplos.Hoje temos a Lara, aqui conosco há 7 anos, salvamos das ruas já adulta, por isto não sabemos sua idade atual. Na sexta-feira última constatamos a cegueira do olho direito, o que muito abalou a Toca, estamos cuidando para que o outro olhinho permaneça livre da doença.Então, para os nossos amores caninos, para os nossos grandes auaumiguinhos que nos acompanham, segue o carinho do texto do Gilberto para todos vocês, sempre, Toca dos Gatos.
A canção do meu saudoso e eterno amigo - Gilberto Pinheiro
Eu não sabia que a vida pudesse me ensinar tanto, que minhas lágrimas trouxessem para perto de mim a sombra fria da amarga solidão, a ausência sofrida do meu inesquecível cão.Eu não sabia como dói na alma a falta de quem se ama tanto.Senhor, neste momento de contrição, refletindo sobre minha vida, posso ver o tempo perdido quando esqueci de amar, quando imaginava que o amor não tinha importância para mim. Nunca me ensinaram a amar os animais. Meus pais eram religiosos mas nunca me ensinaram a rezar pelos animais. Eles também não sabiam o valor do amor em sua plenitude.
Eu nunca soube valorizar a amizade do meu cão, que se dedicava a mim integralmente quando eu estava em casa. Não saía de perto de mim. E eu, estúpido, nunca percebi o que dizia aquele olhar. Fazia questão de se mostrar para mim, olhando-me com ternura, o jeito canino de conquistar corações. Mas, minha alma empedernida, não tinha tempo nem sensibilidade para entender o que dizia este olhar. Agora entendo a razão de ao ouvir minha música favorita ele se aproximava e se encostava em mim, olhando-me como se dissesse "essa também é a minha música favorita".
O cão amigo quer ver seu dono feliz. Gosta de tudo que ele gosta e tenta fazer graça para vê-lo sorrir.
Às vezes, parecia que sua alma se aproximava de mim.
Mas, insensivelmente, eu não entendia este lindo gesto de amizade, o que ele queria me dizer, o quanto me amava. Eu não o olhava como merecia ser olhado.
Lembro-me que, quando menino, ensinaram-me a rezar mas nunca me ensinaram a pedir a Deus pelos animais. Acho que isso congelou o meu coração. Eu peço perdão por minha insensibilidade, pelo fato de não valorizar as pequenas coisas desta vida, na simplicidade deste meigo olhar, o amor que dele transbordava a felicidade para me presentear. Este meu cão valorizou a minha vida e eu não soube valorizar a sua existência. Como fui tolo e não valorizei cada instante, cada momento e encontro desta vida. Hoje, choro de saudades, de arrependimento, pelo tempo que perdi em não admirá-lo desde que chegou à minha casa, ainda muito pequenino. O seu latido de menino cão, o chinelo que ele gostava de brincar, morder, fazer arte; a vida que sorria para mim e eu não soube nesta vida amar, de com ele brincar. Ele viveu em minha casa por 18 anos e morreu tranquilamente, sem sofrer. Ao acordar de manhã, estava deitado ao lado da minha cama, com os olhos semi-abertos. Eu não sabia que ele tinha viajado para perto de Deus. Senhor, em seus ensinamentos valorizou o perdão, a misericórdia: bem-aventurados os misericordiosos, porque receberão a misericórdia, e eu imploro a indulgência por não ter sabido amar o meu cão. Eu não o tenho mais perto de mim. Ele viajou para bem longe, onde residem as mais belas e fulgurantes estrelas, residindo no paraíso,na estrela mais bela que já pude contemplar. Todas as noites eu abro a janela e ouvindo a mesma canção, a canção que ele mais gostava e ficava com seu meigo olhar. Longe e tão perto, está este eterno amigo, ligados pela mesma emoção, o carinho, a ternura, a despedida que foi triste e dolorosa, exatamente quando aprendi a vida valorizar. Meu cão amigo e querido, saiba que o aparente desprezo não passava da minha frustração, por não ter a grandeza de saber valorizar o sentimento, por não saber o quanto é importante amar. Essa canção é sua. Estamos juntos neste instante, eu sorrio de felicidade, afinal, vejo com o coração enternecido como é lindo este seu olhar.
Para sempre, seu amigo, Gilberto Pinheiro.